| Editorial
PRESIDENTE DO IAMG
Fernando Ribeiro
Autoritarismo latente ameaça
a democracia
Em 26 de agosto, o editor-geral de O Tempo chegou a
ser preso e algemado por agentes da Polícia Federal
que invadiram o prédio do jornal para cumprir
mandato de busca e apreensão, em uma ação
truculenta e autoritária. A gráfica do
jornal teria impresso uma peça de campanha política,
ferindo a Lei Eleitoral. Nada foi encontrado.
A liberdade de imprensa é dentre as liberdades
públicas individuais uma que mais de perto importa
à um regime democrático pleno.
Agora, às vésperas das eleições,
deparamos com as fotos publicadas pelo Jornal O Tempo
que nos dão conta da forma com que se intentou
cumprir mandado de busca e apreensão expedido
pela Justiça. O dedo em riste do truculento delegado
que acompanhou a diligência, as algemas com que
foi manietado o jornalista nos trouxeram à lembrança
cenas que esperávamos não mais assistir:
pelo menos não em nosso país.
Nenhuma restrição fazemos quanto a ordem
judicial, é bom que se acentue. Até porque
não dispomos de elementos para avaliar a procedência
dela. O que nos assusta é constatar, de forma
tão contundente, a persistência, de um
autoritarismo latente que se não for oportunamente
contido poderá vir a consistir em séria
ameaça às liberdades públicas.
Daí o fato de havermos registrado a coincidência
do episódio com a proximidade das eleições
municipais. E anotarmos, agora, a circunstância
de ter sido vítima da truculência um órgão
da imprensa. Sim, porque a liberdade de imprensa é,
sem dúvida, dentre as liberdades públicas
individuais certamente uma daquelas que mais de perto
importa à um regime democrático pleno.
Já
lembrava Chateaubriand que não há governo
representativo sem liberdade de imprensa eis que o exercício
dela é que assegura ao povo o acesso ao conhecimento
dos fatos, ciência indispensável na formação
da opinião sobre as necessidades vitais da sociedade.
Sem ela não há nem mesmo como pensar-se
em liberdade de opinião, eis que não há
que se falar em opinião consistente se não
se dispõe das informações necessárias
para que ela se forme.
Já se disse, com razão, que "o preço
da liberdade é a eterna vigilância".
Fatos como esse não podem ser relegados a um
plano de desimportância sob pena de se ver crescer
o autoritarismo incontido até um limite absolutamente
insuportável.
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